Reinaldo Evaristo Fernandes
10/03/2010
O sub-tenente Reinaldo Evaristo Fernandes assume o comando do 2º Pelotão dos Bombeiros de Itajubá, depois que o Capitão Ivan Santos Pereira Neto foi transferido para a cidade de Pouso Alegre. Reinaldo começou a carreira em 1988, e veio para Itajubá depois que fez o curso de sargento em 1991. Constituiu sua família na cidade, é casado e pai de dois filhos. Ao final da entrevista, surgiu uma ocorrência e a reportagem do jornal Itajubá Notícias foi convidada a acompanhar o atendimento juntamente com os bombeiros.
O senhor já esteve no comando alguma vez?
Na verdade o comando do Pelotão é de tenente, mas na eventualidade ou falta de um tenente quem está apto a assumir é um sub-tenente, que é o meu caso.
Em 15 de janeiro desse ano, eu assumi o comando. E por alguns períodos já estive no comando do Corpo de Bombeiros. As minhas promoções foram todas cumpridas aqui em Itajubá. Eu adotei a cidade para estar servindo profissionalmente e pretendo encerrar minha carreira aqui.
E quanto ao efetivo, como está o Pelotão de Itajubá?
O nosso previsto são de 56 homens, mas no instante temos 36, porque no mesmo momento que entra tem bombeiro saindo. Mas, nós estamos em fase de formação de mais bombeiros para Itajubá; quem sabe nós seremos contemplados, pois alguns são daqui mesmo de Itajubá. A política do Estado é que onde esteja faltando profissional, o cargo seja preenchido.
Com relação aos equipamentos?
A procura é maior que a demanda, hoje nós temos dois caminhões de combate a incêndio, duas unidades de resgate, duas viaturas de salvamento e demais viaturas, ao todo são 11 viaturas. Mas, no decorrer do dia-a-dia, a demanda é muito grande, o bombeiro atende por dia cerca de 20 a 25 ocorrências. Hoje a grande procura pelo bombeiro é o atendimento pré-hospitalar. Atendemos entre 60 a 70 ocorrências pré-hospitalar.
E as outras ocorrências?
Elas são ocorrências diversas, desde um salvamento a um incêndio, vistorias... Hoje o Corpo de Bombeiros trabalha muito na área de prevenção. Nós temos uma equipe que faz uma vistoria no espaço onde será realizado algum evento, para saber se está apto, e que envolva aglomeração de pessoas.
Qual é a abrangência do Corpo de Bombeiros?
São 14 municípios. O mais distante que nós temos é Sapucaí Mirím que fica em torno de 70km, fazendo divisa com o Estado de São Paulo.
Nós sabemos que o tempo conta muito no trabalho de vocês...
De qualquer ponto da cidade até a solicitação, o tempo estimado do bombeiro são de 15 minutos para poder chegar.
Consegue chegar em 15 min, com o trânsito de Itajubá?
Nós temos uma dificuldade, mas o nosso tempo geralmente é estimado em 8 minutos. Agora quando é fora do município, devido a malha viária, a gente já tem essa dificuldade.
A demora pode dificultar o trabalho?
Depende muito da ocorrência, do tipo, da gravidade. Às vezes tem alguma ocorrência dentro do município que a gente não consegue dar um suporte rápido, mas sempre conseguimos chegar a tempo de fazer o nosso trabalho.
Como anda o número de ocorrências nessa época do ano?
Nós estamos saindo agora de um período de chuva e Itajubá já foi muito assolada por inundações, então, em qualquer período mais chuvoso, nós recebemos muitas solicitações de deslizamento de terra. No período do frio vem as doenças (crises de asmas, bronquites, etc.) e as pessoas acabam solicitando a nossa presença. Agora tem as ocorrências no decorrer do ano, que são os atendimentos pré-hospitalar, como acidentes de trânsito. Em Itajubá nós temos uma BR, que corta a nossa cidade, e temos que ter uma atenção especial. Como estamos próximos a Aparecida do Norte, tem milhares de romeiros que fazem esse trajeto a pé e também de carro. Nesse caso, nossa atenção também tem que ser especial. Outras ocorrências comuns são de mulher dando a luz, quedas de moto, de bicicleta, e atropelamentos.
Qual a ocorrência mais comum?
O que nós atendemos bastante é o motociclista, praticamente uma ocorrência por dia, infelizmente temos muitos acidentes fatais.
Casos de afogamento...
Não temos balneário aqui, que no caso seria lagoa, represas, o que nós temos são cachoeiras. Mas, a maioria das cachoeiras tem placa de advertência, sinalização, e toda uma atenção especial. Então, o nosso número de afogamentos é muito pequeno. O último afogamento que atendemos foi o ano passado na cidade de Gonçalves, em uma cachoeira, que é uma área de atendimento do Corpo de Bombeiros de Itajubá.
Itajubá precisa de uma escada magiro?
Essa escada é destinada para as grandes cidades com edificações antigas. Os edifícios que existem em Itajubá, têm escada enclausurada (onde fogo e fumaça não tem acesso), portas contra fogo, que vai desde o último pavimento até o térreo e todas as edificações se enquadram.
Aumentam as exigências quando o prédio é comercial?
Quanto maior o número de andares, mais a exigência. Isso é uma legislação que o Corpo de Bombeiros está sempre atualizando, que é de conhecimento de todos os engenheiros que elaboram os projetos. E também quanto mais visitada por pessoas a edificação, mais detalhes a legislação prevê, como iluminação de emergência, sinalização de emergência...
O Corpo de Bombeiros realiza o Projeto Golfinho dando aulas de natação as crianças da rede pública e estadual. Como está sendo desenvolvimento este projeto?
O Projeto visa a prática de natação para crianças de 7 a 14 anos que estejam matriculados na rede pública municipal e estadual. O projeto teve início em outubro (do ano passado) e sua duração são de quatro meses para cada turma; nossa meta de atendimento são de 200 crianças/ano. Encontra-se à frente do curso, como instrutor de natação, os cabos Adriano e Rodolfo, que estão promovendo um excelente trabalho no desenvolvimento, habilidades e técnicas de natação, bem como instrução de cidadania aos alunos, durante o curso.
Neste momento, por volta das 15h, o Corpo de Bombeiros recebe um chamado do 193 informando que um ciclista e um motoqueiro estavam feridos, após uma colisão. Os bombeiros saíram para atender o chamado e a reportagem do jornal Itajubá Notícias foi convidada a acompanhar. Em poucos minutos, os bombeiros chegaram ao local, avenida José Rodrigues, em baixo da ponte Tancredo Neves, bairro Avenida, onde o ciclista A.F.G.S, de 28 anos, e o motoqueiro R.L., também de 28 anos, haviam se envolvido em um acidente de trânsito. As vítimas foram encontradas caídas no asfalto. O ciclista estava com fratura de face e possível fratura na perna esquerda; já o motoqueiro, teve escoriações no braço direito. Depois de efetuado o procedimento de rotina, as vítimas foram encaminhadas para o Hospital Escola. Essa é a rotina de um Corpo de Bombeiros...
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