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João Vitor e a Lua

Uma declaração do presidente da Câmara Municipal, João Vitor da Costa, se confirmada, poderá, talvez, mudar os rumos da ação civil pública por improbidade administrativa que o Ministério Público de Minas Gerais move contra o vereador e outras pessoas, inclusive o proprietário – ou hoje ex-proprietário – daquele terreno de R$100 mil, que a Câmara, no final de 2008 e também sob a presidência de João Vitor, chegara a adquirir por pouco mais de R$200 mil.

Em entrevista concedida com exclusividade ao Itajubá Notícias da semana passada, João Vitor disse que o terreno já foi vendido pelo valor de R$230 mil, há algum tempo. Com isso, acredita que ficou demonstrado que, quando o adquirira – ou tentara adquirí-lo, porque a compra acabou anulada pelo prefeito Jorge Mouallem, já que oficialmente foi feita pela prefeitura e não pela Câmara – o terreno, realmente, tinha esse valor.

A dúvida sobre o real valor do terreno surgiu, na época, porque seu proprietário o havia adquirido, semanas antes, de um conhecido comerciante local por R$100 mil, à vista e em dinheiro, numa operação que chamava a atenção pela sua estranheza – o pagamento de quantia tão alta em dinheiro e não em cheque ou transferência bancária, como seria o normal –, não demonstrava ter condições financeiras para tanto – pelo que surgiu a desconfiança de que alguém lhe financiara a tal compra – e porque, poucas semanas após essa compra, vendeu o mesmo terreno para a prefeitura, que o comprava com verba da Câmara Municipal, por mais do dobro do valor pelo qual o comprara. Alie-se a tudo isso o fato de o negócio ter sido realizado às pressas, no final do mandato do ex-prefeito BPS, e de o próprio João Vitor da Costa haver acompanhado o vendedor até a Caixa Econômica Federal para que ele descontasse o cheque da Câmara e sacasse, em dinheiro, aquela altíssima quantia.

Pouco mais de um ano após o escândalo, surge a notícia dada por João Vitor de que o terreno foi vendido para um particular, por quantia superior àquela que a Câmara o pretendera adquirir.

Diversas são as hipóteses que surgem: uma delas é a de que, hoje, o terreno não teria sido vendido por R$230 mil, mas por bem menos, mas a escritura foi passada por esse valor – com os impostos sendo custeados por gente interessada – para dar a entender que as desconfianças, denúncia e o processo não teriam fundamento; outra delas é a de que realmente o terreno foi vendido por esse valor, que já valia os R$200 mil naquela época e que, portanto, foi adquirido pela Câmara pelo seu real valor de mercado, mas que, quando foi objeto de venda do empresário itajubense para o então proprietário (aquele que o revendeu para a Câmara), a escritura foi passada apenas por R$100 mil, para ludibriar o fisco e se pagar menos impostos – como, aliás, é comum nesse tipo de negócio no Brasil; uma terceira hipótese é a de que o terreno tenha, realmente, por qualquer milagre, se valorizado mais de 100% em apenas um ano, o que é mais crível do que haver se valorizado nesse mesmo percentual em algumas semanas, como se queria fazer acreditar no início do ano passado, hipótese esta pouco provável.

Mas também há a hipótese mais crível de todas: se realmente houver a escritura de venda e compra recente pelo valor de R$230 mil, o vereador e presidente da Câmara, João Vitor, nasceu virado para a Lua.


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