top of page

Editorial 1167: O herói fabricado

  • 22 de abr.
  • 3 min de leitura

Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes por todos nós desde a mais tenra infância, quando nos ensinavam a história do Brasil nas escolinhas primárias – hoje, Ensino Fundamental I – é o único brasileiro que tem um feriado em sua homenagem. Executado com a pena de morte na forca, depois de um processo que durou três anos, conhecido como a Devassa, por sua participação e confessada liderança num movimento que historiadores denominam Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, como ainda querem alguns, em 1792, Tiradentes teve seu nome esquecido por 98 anos, entre a data de seu enforcamento e o primeiro ano da República (1890), até que, necessitando criar um herói nacional para substituir na cabeça do povão a figura querida de D. Pedro II, expulso do Brasil no ano anterior pelos golpistas democratas e antiescravagistas que se uniram a fazendeiros escravagistas insatisfeitos com a abolição da escravatura no Brasil, sem que tivessem recebido indenização do Estado, lembraram-se do revolucionário do final do século anterior, mandaram pintá-lo em quadros como se fosse Jesus Cristo – de forte apelo emocional popular num país de sociedade eminentemente católica – e criaram o herói nacional, porque o comandante militar do golpe contra o imperador deposto não servia, porque, sabidamente, seria amigo (da onça) de D. Pedro II, e levou adiante um movimento que visava, em princípio, apenas, derrubar o Ministério e não a Monarquia, porque alguém fora até sua casa, onde já se encontrava deitado em sua cama, para mentir-lhe, dizendo que o imperador iria nomear, para substituir o ministro chefe do gabinete deposto, seu maior inimigo no Rio Grande do Sul, o homem que se casara com uma sua antiga paixão.

Quer ler mais?

Inscreva-se em itajubanoticias.com.br para continuar lendo esse post exclusivo.

bottom of page