Editorial 1177: O buraco é mais embaixo?
- há 18 horas
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O grande assunto que vem dominando a imprensa em geral, principalmente os jornais e telejornais mais populares, é a fria tentativa de assassinato de um policial militar em São Paulo, em plena luz do dia, numa avenida extremamente movimentada. Dizemos, nesta quarta-feira, 1º de julho, tentativa de assassinato, porque a vítima mantém-se viva, embora em gravíssimo estado, e, quando você estiver lendo este editorial, talvez já não tenha sido uma tentativa. O caso despertou maior atenção do público porque, coincidentemente, aquele policial, dentre milhares de outros do corpo de segurança paulista, é irmão da garota Eloá, que, há cerca de 18 anos, foi assassinada por um ex-namorado que, por dois dias, a manteve sequestrada dentro de seu próprio apartamento, em São Paulo, crime que muitos atribuíram a uma falha da própria polícia, quando invadiu o local. Há pouco mais de um ano, um ex-delegado de polícia, também paulista, que sequer continuava na força policial, mas era secretário de Administração de uma prefeitura do interior do estado, também foi friamente assassinado, em plena via pública. Não são poucos os assassinatos de policiais ou ex-policiais, às vezes até de juízes e membros do Ministério Público, quando estão em atividades que nada têm a ver com suas funções, ocorridos no Brasil ao longo de sua história. Ao distinto público vem, sempre, a versão de que teriam sido mortos pelas quadrilhas ou organizações criminosas, por estarem cumprindo seus deveres de combater o crime no país. Parece, no entanto, meio ilógico que bandidos saiam à caça de agentes de segurança ou aplicadores do direito penal apenas por ranço às suas profissões. Agentes penitenciários podem terminar por serem vítimas de criminosos que, após se verem soltos, seja porque fugiram do cárcere, seja por liberdade obtida legalmente, resolvem se vingar por eventuais maus-tratos recebidos durante suas estadias na cadeia. Isso já aconteceu, e não poucas vezes, mas, em quase todos os casos, a motivação real do crime não vem a público, até para preservar-se a imagem pública das vítimas. Ester Kosovski, uma professora de Direito carioca, há mais de 40 anos dedicava-se ao estudo da vitimologia, ou seja, à compreensão das razões do crime a partir da vítima, e não do réu. Talvez o problema de assassinatos de policiais e agentes do direito, seja no Brasil, seja em diversos outros países do mundo, venha a ser, ainda que parcialmente, resolvido, se entendermos que o buraco, possivelmente, é mais embaixo.