Editorial 1178: Nem na cadeia se unem
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Atribuem alguns a Nelson Rodrigues, o jornalista e dramaturgo brasileiro, já falecido, a frase “a oposição somente se une na cadeia”, convertida, na década de 1960, para “a Esquerda só se une na cadeia”, em referência aos presos políticos da época. Não se sabe se, de fato, partiu de Nelson Rodrigues, mas é fato que a frase é constantemente repetida ao longo das décadas, sempre que há divergências entre grupos de um espectro político (a chamada Direita) e outro (a chamada Esquerda), no Brasil.
Os políticos da chamada Esquerda, como se sabe, são muito mais propensos a discussões em assembleias, reuniões e quebra-paus em geral, desde os tempos de bancos escolares e acadêmicos de seus adeptos. Quem já pertenceu a diretórios ou centros acadêmicos sabe bem o que é enfrentar uma assembleia estudantil, onde passam-se horas discutindo as “questões de ordem”, antes de adentrar-se ao tema principal da reunião, que, muitas vezes, nem sequer chega a ser tratado, porque já saíram as ofensas pessoais, socos e bofetões antes, enquanto discutiam uma questão de “ordem”.
Mas a união ou desunião, atualmente, no Brasil, sob o aspecto político, desde, pelo menos, janeiro deste ano, é atribuída à chamada Direita, cujo cacique maior ainda é Jair Bolsonaro, ex-presidente preso por motivações meramente políticas e pessoais de seus algozes, representado na figura de seu filho Flávio Bolsonaro, de um lado, e de sua esposa, Michelle Bolsonaro, de outro, sendo que, no meio, tem a turma que os empurra para a briga, como candidatos à Presidência que, se estão corretos, num primeiro momento, ou seja, no primeiro turno, a disputarem o pleito, mesmo sabendo que não vão vencê-lo (como Zema ou Caiado, por exemplo), estariam preparando o terreno para levar seus eleitores a dirigirem seus votos ao vencedor do primeiro turno, obviamente Flávio Bolsonaro, ganhando, de fato e de direito, a Presidência da República.
Mas, ao contrário, a chamada Direita parece estar sem se unir nem mesmo com seu líder maior na cadeia – ou em prisão domiciliar, mas não podendo trocar ideias nem mesmo com seu papagaio, se tiver essa ave em casa e ainda não foi confiscada –, provocando a briga entre a esposa do líder, Michelle, e o filho do líder, Flávio, que já tem que lidar com o jornalismo de gavetagem, com os milhões despejados pelo governo para ter uma leve esperança de reeleição, sem necessitar de ajuda de gente muito poderosa.
Caiado não tem que ficar falando bem de Flávio, nem Zema, apesar de que, neste último caso, não precisaria partir para acusações infundadas ou baixarias, porque são candidatos, mas, se ficarem provocando a briga entre as lideranças da chamada Direita, vão entregar o Palácio nas mãos de qualquer um que o líder maior da esquerda quiser, mesmo que não venha a ser ele próprio o candidato, no fim das contas.