Editorial 1181: Fogo dos falsos amigos
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No final de 2025, absolutamente sem esperanças de conseguir reverter sua situação jurídica, Jair Bolsonaro decidiu indicar o nome de seu filho Flávio como candidato do PL – Partido Liberal, para concorrer à Presidência da República. Difícil saber, exatamente, o que movera Bolsonaro a indicar Flávio, mas, por certo, levou em conta, junto com Waldemar da Costa Neto, o presidente do partido e, praticamente, seu “dono”; mas, por certo, pesou o sobrenome, que se mantém vivo junto ao eleitorado. E deu certo. Em menos de 15 dias, Flávio já empatava, nas pesquisas de praticamente todos os institutos, com seu único opositor, o atual ocupante do Palácio, que não apenas quer, mas obriga-se a ser o candidato do seu partido, o PT, porque não tem outro capaz de enfrentar o nome “Bolsonaro” nas urnas. A situação, pois, é que, sem Lula, o PT perde a Presidência em outubro, e, sem um “Bolsonaro”, o PT, com certeza, continuará no poder pelos próximos 10 ou 12 anos, no mínimo. Caiado, Zema, Renan e outros não são páreo para um Lula com a máquina e o dinheiro do governo federal nas mãos, além da providencial ajuda de instituições que deveriam ser os fiéis da balança, mas há muito tempo jogaram fora suas dignidades. O próprio governador de São Paulo, que sentiu o perigo dos fogos dos (falsos) amigos, caso aceitasse ser o candidato “bolsonarista”, preferiu garantir-se no Palácio dos Bandeirantes por mais quatro anos, na esperança, quem sabe, de que o petista e o petismo desçam a rampa em definitivo, e possa vir a ser o sucessor de Flávio daqui a 4 ou 8 anos. O problema é que, se Tarcísio de Freitas, o tal governador paulista, percebera que poderia estar entrando numa fria, caso viesse a ser o candidato “bolsonarista”, porque seus companheiros da chamada “direita” não seriam confiáveis, Flávio está tendo que carregar, sozinho, a cruz de tentar expulsar o petismo do Planalto. Caiado já está ficando cada vez mais claro, faz o jogo dos algozes do bolsonarismo, tendo distribuído honrarias a diversos ministros do STF durante seu governo em Goiás; Zema não deu, sequer, a chance de Flávio explicar-se quando publicaram a história do financiamento do filme sobre seu pai pelo banco de Vorcaro, e já saiu afirmando que jamais seria vice de Flávio, como se o candidato bolsonarista fosse um Lula da vida; o pessoal do MBL, que surgiu nas manifestações contra Dilma Rousseff, em 2014/2015, já está se acomodando sob as asas do poder, seja qual poder for. Se dermos créditos às pesquisas, veremos que o único que chegará ao segundo turno para disputar com Lula será Flávio, gostem ou não. E, se os votos de Caiado (menos de 6%), somados aos do MBL (cerca de 3%) e aos de Zema (que vem caindo a ponto de não alcançar os 2%, em algumas pesquisas), vierem, de fato, para Flávio, no segundo turno, Lula sairá do Palácio. No entanto, se Zema, Caiado, Renan continuarem a ser os falsos amigos e continuarem a apontar suas metralhadoras para Flávio e não para Lula, preparemo-nos para a dominação petista em todos os Poderes da República, por um tempo tão longo que muitos de nós, que estamos escrevendo este editorial e que o estamos lendo, nesse momento, não estaremos mais neste mundo para sabermos no que vai se transformar o Brasil.



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