Editorial 1182: Cleitinho e o mistério da política mineira
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Surge, na política mineira de 2026, um mistério que, talvez, daqui a muitos anos, seja revelado aos nossos netos ou bisnetos, através da obra de algum historiador. Antes de mais nada, o jornal Itajubá Notícias (IN) faz questão de registrar que tem o maior respeito e solidariedade à dor do senador Cleitinho e seus familiares, pelo falecimento recente de seu irmão mais jovem, em razão de uma doença para a qual, infelizmente, a ciência médica ainda não encontrou a cura, tanto quanto tem o maior respeito e solidariedade pelo luto de toda e qualquer família de cidadãos ou cidadãs brasileiras que perderam seus irmãos mais jovens ou mais velhos.
No entanto, foi a dor e o luto pelo falecimento de seu irmão que teria levado, segundo ele próprio divulgou em vídeo na última segunda-feira, o senador Cleitinho, atualmente um dos três mais populares políticos mineiros, com o ex-governador e atual candidato à Presidência Romeu Zema e o deputado Nikolas Ferreira, a “renunciar” à sua candidatura ao governo de Minas, pelo Republicanos, seu partido político. A expressão renunciar está entre aspas porque nem a candidatura e, portanto, a renúncia, têm caráter oficial, já que ainda não há, oficialmente, candidaturas registradas perante a Justiça Eleitoral.
Difícil crer que o luto de Cleitinho o tenha levado a desistir de uma candidatura ao governo do terceiro maior estado brasileiro, economicamente falando, um verdadeiro motor da política nacional e segundo colégio eleitoral, quando, segundo absolutamente todas as pesquisas de intenções de voto, pontuava o dobro do segundo colocado e a soma de todos os demais não chegava à sua pontuação, colocando-o, possivelmente, como eleito no primeiro turno do pleito de outubro vindouro.
Mais ainda, quando sabemos que, ao desistir de uma candidatura cujo absoluto sucesso se avizinhava e, assim, permitindo que outro ocupe o Palácio do Governo mineiro pelos próximos, talvez, 8 anos, Cleitinho dificilmente terá uma nova chance e, pior, não poderá, ao longo desse tempo, sequer tecer críticas ao governante que, sem querer, ajudou a eleger, porque os seus próprios eleitores, hoje frustrados, poderão lhe apontar o dedo, culpando-lhe pela desgraça que ele vier a criticar, porque poderia tê-la evitado.
Ao desistir da candidatura, Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho, não estará fora da política, até porque mantém seu mandato de senador da República pelos próximos 4 anos, no mínimo, mas, certamente, perderá a força que ganhou nos últimos 4 anos junto ao seu próprio eleitorado.
O problema é que o anúncio da desistência da candidatura, primeiro imputada a um problema com o Republicanos, depois a uma questão pessoal do candidato, que, possivelmente, seria eleito, interessando tanto ao seu partido como a ele próprio, não está convencendo, e as verdadeiras razões de uma retirada de campo tão inesperada e, politicamente, insensata talvez não venham a ser do conhecimento público por muitos e muitos anos.
Chega agora a notícia que Cleitinho quer rever sua decisão e ser candidato ao Governo de Minas. Ah! A política e seus políticos. Vai entender...



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