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Editorial 1192: O PT nunca foi do trabalhador

há 3 horas
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Em 20 de dezembro de 1979, foi sancionada pelo então presidente, general João Figueiredo, a Lei 6.767/79, que extinguia os dois únicos partidos políticos então existentes desde 1965 e retornava ao velho sistema do pluripartidarismo. A lei entrou em vigor logo depois da Lei da Anistia, também sancionada naquele mesmo ano, em agosto (Lei 6.683/79), pelo mesmo presidente, que tomara posse, diga-se, poucos meses antes, em março.

Em menos de um ano, o regime militar (ou ditadura militar) colocou em vigor dois instrumentos jurídicos que alteravam totalmente a política nacional, para que o país pudesse retornar à democracia, sem revolução, sem violência, sem contragolpe, na esteira de um plano que fora traçado ainda em 1973, quando os generais Geisel e Golbery foram indicados para assumirem a Presidência da República (Geisel) e a chefia da Casa Civil (Golbery), a partir de março de 1974, para implementarem uma lentíssima e controlada distensão política, com o que passara a se chamar de abertura, que, aliás, quase foi por água abaixo em outubro daquele ano de 1979, três meses depois da anistia.

O que isso tem a ver com o surgimento do Partido dos Trabalhadores e o fato de este não ser, nem nunca ter sido, um partido de trabalhadores está na origem dessa agremiação política surgida com o pluripartidarismo. Antes da fundação do famoso PT, já existia uma agremiação extraoficial chamada “Causa Operária”, formada, ela sim, na sua base, por verdadeiros trabalhadores na indústria nacional, o chamado pessoal do “chão de fábrica”.

No entanto, a estrela em ascensão do momento chamava-se Luiz Inácio da Silva, líder sindical no ABC paulista, que fora operário por pouquíssimo tempo, tanto porque aposentado antecipadamente pela perda de um dos dedos da mão quanto porque passara a integrar a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, mas que possuía uma enorme capacidade de discursar perante grandes assembleias, qualidade que nenhuma liderança da “Causa Operária” possuía.

Luiz Inácio, que era conhecido pelo apelido Lula, tornou-se o queridinho, por mero interesse político e econômico, da elite artística e intelectual do país e excelente personagem do sistema que viria a dominar o país. E foi tanto útil que lançado até mesmo candidato à Presidência da República, para dar suporte às vitórias do MDB de Ulysses Guimarães (1984 e 1986), de Collor de Mello (1989) e, depois, do PSDB (1994/1998) na Presidência.

O golpe de mestre veio em 2002, quando aquele grupo aceitou apoiá-lo para a chefia, desde que o PT aceitasse (o que fez de bom grado) o mineiro conservador José Alencar, respeitadíssimo empresário, como vice-presidente. A ideia seria que Alencar funcionaria como contrapeso às fanfarronices populistas, e até que funcionou por algum tempo, mas não conseguiram conter a fome pelo ganho fácil dos “companheiros”, e a corrupção tomou conta, com mensalão, petrolão e muitos “ãos” mais.

A “Causa Operária” abandonou o grupo anos antes, em 1995, quinze anos depois de ser a base verdadeiramente de trabalhadores do PT, quando se transformara em Partido (o PCO – Partido da Causa Operária), cujo presidente, o jornalista Rui Pimenta, não tem a capacidade de Lula e, em seus discursos, não consegue empolgar nem parentes em churrasco de família.

O PCO ficou apagado, como até hoje, mas é o PCO, e não o PT, o verdadeiro partido dos e de trabalhadores. O PT é e sempre foi o que se vê nos pronunciamentos de parte da classe artística nacional e na baderna do que vimos na Avenida Paulista, no último domingo.

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