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Editorial 1166: Organizando os ambulantes em Itajubá

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

A Câmara Municipal de Itajubá está promovendo uma discussão acerca das regras para que ambulantes possam comercializar suas mercadorias nas praças públicas de Itajubá. Ambulante, como o próprio nome diz, são nômades, ou seja, hoje estão oferecendo suas mercadorias e serviços num lugar, outro dia acolá, e assim toca a vida. Comercializam tanto produtos que adquirem no “atacado”, de outros produtores, ou eles próprios os fabricam, como no caso dos artesanatos, por exemplo. Um dos grandes exemplos que dão certo há décadas e décadas de ambulantes desorganizadamente auto-organizados estão na Rua Direita, em São Paulo, ou na Saara, no Rio de Janeiro, ou na Feira de São Cristóvão, na mesma capital fluminense, e até nas chamadas “Feiras do Rolo”, em diversas cidades grandes e médias do país, que atraem cidadãos e visitantes. A nossa praça Theodomiro Santiago já experimentou a magia das barraquinhas dos fins de semana, com artesanatos produzidos por homens e mulheres que, no mínimo, enchem nossos olhos ao visitá-las, mesmo que terminemos por nada comprar. É a sociedade se organizando desorganizadamente, porém com eficácia, e deve-se tomar muito, muito e muito cuidado para que uma regulamentação não destrua, sobretudo, o espírito que rege o comércio ambulante. No passado, o caixeiro viajante, o mascate, que circulava pelas ruas das cidades do interior oferecendo suas mercadorias, serviam à população que não tinha acesso fácil ao comércio regular, como nas zonas rurais. Pouca gente vai a uma loja para adquirir artesanatos, mas quase todo mundo para nas barraquinhas ou frente aos tapetes espalhados pelo chão das praças para escolher sua pulseira, colar ou miçanga. O ambulante, desde que honesto, como o são a extrema maioria, traz vida às cidades, sobretudo nas cidades do interior. Nada contra certa regulamentação, como parece querer propor a Câmara Municipal, mas sem que a força do Poder do Estado, que nossa Câmara representa, inviabilize ou torne extremamente difícil o exercício de uma atividade decente, honesta e que traz alegria para quem frequenta nossas praças.

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