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Editorial 1191: Os meninos do Brasil

há 8 horas
2 min de leitura

Apesar de seus mais de 12 mil votos obtidos em Itajubá, nosso Pedro Gama, ex-vereador e presidente da Câmara Municipal, ex-candidato a prefeito em 2024, e, hoje, já ex-candidato a deputado federal por Minas Gerais, não conseguiu se eleger. O último da lista dos eleitos, Sargento Mello (PL), alcançara os 25 mil votos em todo o Estado. Não se pode, portanto, dizer que Gama teve um mau resultado, até porque concorreu, dentro da sua cidade, com um candidato que alcançou, no Estado, nada menos que mais de 3 milhões de votos, recorde absoluto em toda a história do Brasil, para um candidato a deputado federal, que havia se tornado o “menino do Brasil” já nas eleições anteriores, quando obteve mais de 1.600 mil votos, também recorde nacional na época, sempre pelo PL, partido que, apesar de presidido, nacionalmente, por um político de menor expressão popular, tem sua liderança vinculada, indiscutivelmente, ao ex-presidente Jair Bolsonaro que, mesmo preso em sua residência, inelegível e incomunicável até mesmo com seus próprios filhos, por ordem de um ministro do Supremo Tribunal Federal, levou seu filho, quase que desconhecido até dezembro do ano passado, a vencer o atual presidente e candidato ao seu quarto mandato, e seus partidos políticos (considerados, aqui, o PT e os demais da sua Federação, além dos satélites), no primeiro turno destas eleições.

Nikolas Ferreira, o “menino do Brasil”, contudo, não está mais sozinho do “play”. Ganhou a companhia do amiguinho Lucas Pavanato, também do PL, que, em São Paulo, alcançou os mais de 3 milhões de votos, e, mesmo descontando-se o fato de que o número de eleitores paulistas é superior ao de Minas Gerais, tornou-se o vice-campeão nacional de votos para o cargo. A questão é que, tanto Nikolas Ferreira, com seus 30 anos, como Lucas Pavanato, com seus 28 anos, fogem, totalmente, à regra da idade média entre políticos nacionais que conseguiram, ao longo da sua vida pública, alcançar a Câmara Federal. Representam, assim, uma força jovem, mas que não vem das bases de partidos de esquerda, como o PT, por exemplo, que sempre atraíram a juventude para suas fileiras. Pelo contrário, seus líderes no comando, real ou oficial, do partido (no caso, o PL), têm o dobro ou quase o triplo de suas idades, e eles formam ao lado de outros líderes políticos de outros partidos, com idades sensivelmente superiores, como é o caso do próprio Romeu Zema (NOVO), que, depois de haver alcançado o pináculo da glória em Minas Gerais, como governador reeleito no primeiro turno (2022), mesmo com Lula e seu PT vencendo o pleito aqui no estado, naquele ano, ou de Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS) em São Paulo, que, apesar de não ser tão jovem como Nikolas ou Lucas, nem tão idoso como Jair Bolsonaro, era, até bem pouco tempo, uma criança no espectro político brasileiro.

A ascensão desses e de outros jovens na política brasileira, ao lado da experiência e aproveitando-se da experiência de outros mais velhos, é uma grande notícia, sem dúvida. O que se espera, contudo, é que os “meninos” de hoje não descambem, nem para o estrelismo que certamente os destruirá aos olhos da população, num futuro breve, nem para o “centrão” dos fisiológicos, o que dará no mesmo.

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