Editorial 1168: Acomodando os amigos
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Noticiamos, na última edição, que o deputado Odair Cunha, indicado para ocupar uma das cadeiras no Tribunal de Contas da União, teve sua indicação aprovada pelo Senado. Não foi, apenas, Odair Cunha que ganhou o sustento – e um bom sustento, diga-se – financeiro para o resto da sua vida, já que a titularidade nos tribunais de contas é vitalícia, como nos tribunais do Judiciário. Nos estados, também passaram os trens da alegria respectivos, levando políticos que ocupam ou um dia ocuparam cargos eletivos, para os tribunais de contas e até mesmo para tribunais de Justiça, como, no âmbito federal, políticos amigos do governante de plantão, são nomeados para o Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal Militar.
Nesse último caso, um fato raro ocorreu na época do finalzinho do governo Sarney (1995/1990), quando ele quis indicar um ex-ministro nordestino e seu amigo para aquela Corte, mas recebeu o recado de que, se o fizesse, a Corte não daria posse ao indicado, mesmo que aprovado, como o seria, no Senado Federal, onde todos são, invariavelmente aprovados, há mais de 100 anos. Não vai, aqui, nenhum demérito ao deputado Odair Cunha, indicado para o TCU, nem a nenhum outro, embora tenha causado certas críticas quando esposas e filhos de ministros e governadores foram nomeados para os tribunais de contas de alguns estados do Nordeste, recentemente.
Mas, é fato, que no imaginário popular, aqui considerada a população que sabe, pelo menos, o que é um tribunal de contas, sempre residiu a ideia de que esses tribunais são o asilo seguro de políticos que, embora houvessem feito sucesso na vida política por alguns anos ou décadas, foram perdendo seu eleitorado ao longo do tempo e precisavam, urgentemente, encontrar um meio de subsistência que lhes garantisse uma vida confortável, até o fim dela. Claro que, para isso, seria necessário que fossem do entorno do rei de plantão, muito mais do que demonstrar competência para ocuparem tais cargos. Mas, no Brasil, um país em que, desde há muito tempo, e a cada ano que passa, a competência tem cada vez menos importância para o exercício de qualquer cargo público, nada é novidade, e, enquanto isso, os reis vão acomodando os amigos.



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