Editorial 1169: A Era Digital, para melhor e pior
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Quem quiser hospedar-se num hotel em qualquer lugar do país, terá que, primeiro, comprar um telefone celular ao preço, mínimo, de R$ 700 reais, caso encontre um dos mais simples, ou de, até, R$ 15 mil reais, como os desejados iPhones da vida. Essa é a nova regra criada pelo nosso Governo Federal, que, para que possa ter o maior controle possível sobre a população, como em qualquer ditadura, já criara a plataforma Gov.br, que obriga o cidadão a inscrever-se, caso queira quaisquer serviços governamentais, pelos quais já paga uma nota preta em impostos, taxas e demais explorações.
O trabalhador, por mais humilde que seja, caso queira ter sua Carteira de Trabalho, a famosa CTPS para os CLTs, criada na época da ditadura Vargas, também terá que trabalhar na informalidade por um bom tempo, até juntar dinheiro, para comprar seu celular, porque, agora, Carteira de Trabalho, somente a digital, meu amigo. A própria CNH (Carteira Nacional de Habilitação) – ou carteira de motorista, como se dizia antigamente – também está no seu celular, como os documentos do seu carro, o CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos).
Ou seja, na Era Digital, quem tiver um celular nas mãos, poderá ter uma série de documentos, inclusive hospedar-se em hotéis ou dar uma escapadinha para um motel, quem não tiver o celular, danou-se: trabalhe nas esquinas vendendo balas, e fugindo dos fiscais do governo Municipal, Estadual e Federal, dirija sem habilitação formal, ande com seu veículo sem o devido licenciamento, e pronto. Ou seja, a maioria da população brasileira, que ainda usa seu Chevette 1978, enferrujado, mas andando, porque não tem condições de comprar um belo e elétrico BYD, está sendo, cada vez mais, colocada na sarjeta da sociedade, na informalidade, porque o governo quer ter, de qualquer forma, o controle integral da sua vida, pelos meios de controle digitais, como na antiga União Soviética, Cuba ou, na atualidade, Coréia do Norte. Possivelmente nem no Irã dos Aiatolás o controle seja tão rígido.
Países que se desenvolveram e tornaram-se as grandes economias do mundo, com educação satisfatória e saúde de qualidade, ainda que pagas, não usam, nem mesmo, urnas eletrônicas nos pleitos eleitorais, e continuam sendo os primeiros em tudo, como Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e por aí vai. Enquanto isso, sabe-se lá se porque o comissionamento é bom, o que não seria novidade no Brasil, entramos, cada vez mais, não pela naturalidade de uma sociedade que se desenvolve, mas por imposição governamental, na obrigação que nos é imposta de termos um caro aparelho celular, para poderemos dormir uma noite numa cama de hotel, se não quisermos usar os bancos dos jardins.



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