Editorial 1171: Romeu Zema: o preço da precipitação?
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No dia seguinte à divulgação pela imprensa do vazamento de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, onde o primeiro, com um tratamento totalmente informal, reclamava ao segundo o repasse de parcelas de uma verba que teria sido prometida para patrocínio de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo produzido nos Estados Unidos, parcelas estas que estariam atrasadas, o ex-governador mineiro Romeu Zema apressou-se em manifestar-se nas redes sociais, condenando o pré-candidato à presidência da República com maiores chances, dentre aqueles lançados pela chamada “Direita”, chegando a ponto de dizer que “não seria, de forma alguma, seu candidato a vice-presidência”, coisa que vem sendo especulada pela imprensa política nacional. Correu às redes sociais, antes mesmo daquele lacaio de Lula, que tem medo de Carteira de Trabalho, segundo um ex-candidato a prefeito de São Paulo, para, como sempre, mentir e dizer asneiras.
Zema, que também se coloca, de forma legítima, diga-se, como também pré-candidato à presidência pela “Direita”, porém com chances infinitamente menores que seus principais concorrentes (o senador Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás), atacou, violentamente, seu colega, no colo de cujo pai, aliás, elegeu-se governador mineiro pela primeira vez, em 2018, antes mesmo que o próprio Flávio viesse a público manifestar-se sobre a matéria do site Intercept, divulgada pela imprensa. Zema não é nenhum vestal. Não deixou o comando, formal, de sua enorme empresa de varejo no comércio popular, para lançar-se na política, em 2018, por amor a Minas Gerais. Zema tem amor ao poder político, que era e é o que lhe resta alcançar, já que o poder econômico ele domina há décadas, pois trata-se de um empresário milionário, como Luciano Hang, o icônico “véio da Havan”. Luciano, contudo, pelo menos até agora, recusou-se a lançar-se a qualquer cargo político, apesar de poder se considerar eleito caso resolvesse disputar uma vaga na Câmara Federal ou, até mesmo, ao Senado.
Não restam dúvidas que Romeu Zema fez um excelente governo em Minas Gerais durante os quase sete anos e meio que esteve à frente da gestão do estado, mas, diga-se, Juscelino Kubitschek e Magalhães Pinto, nas décadas de 1950 e início dos anos 1960, Francelino Pereira e Aureliano Chaves, 2000, também o fizeram. Portanto, Zema não foi o maior nem melhor governador de Minas da história do nosso estado. Mas, o fato de ter sido um bom governador, não o autoriza, como a ninguém, fazer juízo moral de quem quer que seja, principalmente de forma precipitada, apenas para “sair na frente”, como o fez. Demonstrou ser uma decepção como companheiro de luta pela restauração desse país à decência em geral, um hipócrita capaz de caneladas contra seus próprios companheiros de time para assumir-lhes o posto.