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Editorial 1172: Menino Ney

  • há 9 horas
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Desde que o futebol brasileiro entrou para a história das modalidades esportivas do mundo, e, em especial, desde que um garoto de, apenas, 17 anos, tomou parte na Copa do Mundo, disputando da Taça Jules Rimet, em 1958, revelando-se uma das grandes estrelas do futebol para o público europeu e latino, entre 1962, quando nos tornamos bicampeões, e 1970, com o tricampeonato que nos garantiu, em definitivo, a posse daquela taça simbólica (que terminou estranhamente furtada da sede da antiga CBF – Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, pouco tempo depois), nos acostumamos a ter nossos heróis de chuteiras do momento, assim como tivemos no automobilismo (Fittipaldi, na década de 1970; Piquet, na de 1980; Senna, na de 1990).

A cada intervalo entre uma Copa do Mundo de futebol, elegemos um herói de chuteiras, ou preservamos o já existente até a chegada de um novo. A Copa de 1970 terá sido, provavelmente, a única que criou no imaginário popular brasileiro uma gama de heróis ao mesmo tempo. Nela, o menino de 1958 e 1962, não estava sozinho, não se dizia que carregara o time nas costas: havia Rivelino, Tostão, Piazza, Carlos Alberto, Clodoaldo, Jairzinho, Gérson, Caju, Dario, Félix, além dos reservas, de porte não inferior aos titulares, além do técnico Zagallo, que, pouco antes do início do certame, substituiu João Saldanha, defenestrado por haver dado uma entrevista onde disse uma frase que desagradou os militares que governavam o país, claro.

Em 1974, com o mesmo Zagallo, e, agora, já sem Pelé, mas ainda contando com Jairzinho, Rivelino, Piazza e Caju, no time principal, o time brasileiro decepcionou, amargando um quarto lugar. Não houveram heróis a serem laureados. Foi somente na década de 1990, vencendo a primeira Copa depois de 24 anos de jejum e decepções, que a Seleção Brasileira de Futebol, começou a tentar se reerguer perante os próprios nacionais, mas foi justamente aí que começamos a eleger, previamente, nossos heróis de chuteiras: Zico, Romário e Ronaldo “Fenômeno” foram os que mais se destacaram, nas copas de 1994 e 2002, quando novo jejum nos foi imposto pelas demais seleções mundiais. Desde então, estamos tentando o tal hexacampeonato há 24 anos, de novo.

A coroa de herói atual foi colocada na cabeça de Neymar Júnior, chamado pela imprensa de “Menino Ney”, embora já com seus 34 anos, já tendo disputado três copas (2014, quando amargou os 7x1 para a Alemanha, o seu próprio país; 2018, na Rússia, eliminado nas quartas de final; e 2022, no Catar, também eliminado nas quartas de final). No entanto, individualmente, Neymar Júnior continua a ser considerado o melhor dentre todos os jogadores da atualidade, pela chamada imprensa especializada, que o eleva à condição de atual herói nacional da chuteira, a ponto de o assunto das últimas semanas, e até a semana passada, seria a eventual não convocação do jogador para a Copa deste ano. O técnico responsável pela atual Seleção, se não fosse burro, muito burro, jamais deixaria de convocá-lo, salvo estivesse absolutamente incapacitado, nem que fosse para ficar no banco de reservas, como se fosse entrar em campo a qualquer momento, simplesmente porque, se vencermos o torneio, será porque o convocou, mas, se perdêssemos, sem Neymar, seria porque não o teria convocado. Jamais se colocaria a culpa no herói criado, mas a imprensa o laureará, mesmo que fique no banco o tempo todo, porque teria dado a “força moral” ao resto do time, do qual a maioria sabe o nome, apenas, de Vini Júnior, porque namorou uma influencer bonitona, com milhões de seguidores no Instagram.

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