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Editorial 1185: A volta de Pablo Marçal

  • há 3 horas
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Toda eleição brasileira tem sua figurinha carimbada que, realmente, torna-se o chamariz para a audiência da maior parte da população, que quer mais é se divertir e está se lixando para as “propostas” e “programas de governo” dos candidatos, até porque o tempo sempre revela serem umas falácias, seja porque o tal candidato, quando eleito, mostra sua verdadeira cara, seja porque o sistema se fecha contra ele e o torna um refém. No último domingo, a TV Bandeirantes (ou Band, para os íntimos), realizou, pela enésima vez, o primeiro debate de candidatos da série que passará pela Record e, finalmente, Globo, às eleições presidenciais, e amargou a pior das audiências. Sem o atual ocupante do Palácio, que pretende continuar na cadeira, e o único candidato com chances reais de tirar-lhe de lá, os jornalistas da emissora e convidados tiveram que se contentar com um quase desconhecido Renan Santos (Missão, oriundo do tal MBL), o outro desconhecido Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), este o único com certo nome conhecido nacionalmente. Flávio Bolsonaro não foi, porque o seu principal opositor não foi; este não foi, porque, segundo ele, seria o único candidato da “esquerda”, portanto sujeito a levar porrada de todo lado; Romeu Zema, o ex-governador de Minas, que resolveu fazer o papel de bobo na política, já que tinha uma cadeira praticamente reservada para representar Minas no Senado, mas preferiu perder as eleições para a presidência, não foi, sabe-se lá por quê. Há, no entanto, a figurinha carimbada da atualidade, que a Bandeirantes, imbecilmente, recusou-se a convidar para o debate: Pablo Marçal, aquele que provocou tanto Datena nas eleições de 2024 para a prefeitura paulistana, que acabou levando uma cadeirada do ex-apresentador de programas jornalísticos de baixo nível. Marçal, supostamente, será declarado inelegível pelo TSE, mas isso não lhe importa nem um pouco, até porque sabe que, mesmo elegível, não chegaria à presidência, mas está na disputa para evitar que o atual presidente acabe conseguindo que sua esposa continue a viajar pelo mundo às custas do povo por mais 4 anos, logo no primeiro turno. Todas as pesquisas o colocam com 46/47 por cento das intenções de voto, faltando não muito para conseguir os 50,0001% que precisaria para continuar com seu plano de levar o Brasil à falência e sabe Deus o que mais. Marçal pode ser aquele que impedirá seu intento, mesmo que venha a ter seus votos anulados. Nas eleições para prefeito de São Paulo, em 2024, Marçal foi a grande sensação, o único motivo pelo qual o povo ligava a televisão para assistir aos debates, ao invés de ir para o YouTube, Netflix e outros “streamings” da internet. Seria o motivo para que a Band tivesse uma grande audiência neste domingo, mas ela não quis. Em 1989, 1994, 1998, tivemos o icônico Enéas Carneiro (lembram-se? Claro); entre 2002 e 2010, ninguém chamava a atenção do público; em 2014, o povo assistia aos debates, porque Dilma Rousseff já havia se tornado famosa por suas frases circenses, que repetiria até ser expulsa do Palácio em 2016, como quando “saudou a mandioca”; mas, em 2018, surge Cabo Daciolo, cujo sucesso rendeu mais comentários nas redes sociais e nos botequins que a verborragia de Fernando Haddad e a promessa de armar a população, de Jair Bolsonaro. Em 2022, Padre Kelmon foi quem roubou a cena, superando no quesito “roubar” até o principal opositor de Bolsonaro, que tentava a reeleição contra tudo e contra todos, menos contra o povo. Sem Pablo Marçal, os debates do primeiro turno serão muito, muito sem graça.

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