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Editorial 1186: Nunca nem viu

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Nunca nem viu

 

A expressão “nunca nem vi” tornou-se um dos maiores “memes” das redes sociais, YouTube à frente, desde que foi proferida durante uma entrevista a uma afiliada da TV Record no Nordeste, na qual um repórter de um programa popularesco entrevistava um criminoso numa delegacia de polícia, que negava o crime do qual lhe acusavam as autoridades.

Na última quinta-feira, 27 de agosto, um outro sujeito estava dando uma entrevista aos atuais âncoras do Jornal Nacional (TV Globo), sendo “sabatinado” como candidato à reeleição para seu cargo, para o qual fora conduzido no pleito de 2022, nas eleições que ocorrerão neste ano de 2026. Ao ser questionado sobre o que dissera, em conversas colhidas pela Polícia Federal, uma certa senhora ao filho do tal candidato sabatinado, sobre este haver lhe oferecido “o cargo que quisesse na administração federal”, afirmou que “jamais havia conhecido, jamais havia estado com a dita-cuja”, resposta que causou espanto a todos quantos o ouviram dizê-la, já que há dezenas e dezenas de fotos nas quais ele aparece com a digna senhora, aliás, amicíssima de seu filho, para o qual conseguira e teria custeado, com dinheiro roubado dos velhinhos do INSS, uma confortável estadia na Espanha, e seria o elo de ligação entre seu amiguinho e o governo do pai dele, para que o SUS (Sistema Único de Saúde) aceitasse comprar medicamentos à base de canabidiol, que são vendidos pelo amigo, ex-zelador de zoológico em São Paulo, até se tornar um “próspero empresário”, nas palavras do papai, toda vez que a fortuna do filhote vem à tona.

O sujeito sabatinado afirma categoricamente que “nunca nem viu” dita senhora, embora ela, além de amiga de seu filho e, principalmente, de sua nora, também é mui amiga de seu fiel escudeiro de gabinete (aliás, ex-escudeiro, já que, teoricamente, fora demitido, passara a cuidar da campanha do camarada e, mais recentemente, até dessas funções teria sido, teoricamente, dispensado, diante do escândalo).

Curioso: se alguém se aproxima de Roberto Carlos, Caetano Veloso e até de Luana Piovani, e este alguém se vê acusado de falcatruas várias pela Polícia, claro que os cantores e atrizes podem argumentar, com razão, que nunca viram a tal pessoa, já que seria, apenas, um dos milhares ou milhões de fãs que, um dia, na rua, na porta de um teatro ou num restaurante, pedira-lhes que aceitassem serem fotografados por ela. Seria uma foto, duas no máximo.

Mas uma pessoa envolvida num escândalo como o do roubo dos velhinhos, tráfico de influência junto a autoridades governamentais, ligada umbilicalmente ao filho da maior destas autoridades, estar em inúmeras fotos, sozinha ou acompanhada por outras pessoas, com o sujeito, e ele dizer que “nunca nem viu”, não é mera pouca-vergonha na cara. É psicopatia, mesmo.

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